Os velhos novos coronéis continuam circulando pelos latifúndios políticos da Paraíba, agora com discursos modernizados, mas com as mesmas práticas de antes. Na última semana, prefeitos, deputados e senadores passaram por várias cidades do nosso Estado anunciando obras e emendas como se estivessem prestando favores pessoais, repetindo uma lógica antiga que ainda insiste em sobreviver.
Nesse cenário, causou revolta a visita do prefeito Nabor Wanderley(Republicanos), pai do deputado Hugo Motta, ao campus do IF em Patos. Durante a visita, ele celebrou a chamada “verticalização” do Instituto Federal do Sertão Paraibano, com reitoria naquela cidade em Patos, afirmando que buscava “mais oportunidades para os nossos jovens”. Ao mesmo tempo, o deputado Ruy Carneiro também utilizou a instituição para se promover, destacando o avanço das obras do IFPB Campus Pedras de Fogo e reafirmando uma prática política marcada pelo clientelismo.
Em Picuí, em pleno ano eleitoral, a direção homenageou o deputado bolsonarista Cabo Gilberto (PL), dando o nome de seu pai, Sargento da PM Geraldo Gomes da Silva, à Arena Society da instituição.
É inaceitável que nossas instituições de ensino sejam usadas como palco de pré-campanha. Abrir as portas do IFPB para esse tipo de encenação política e permitir o uso da imagem de estudantes para autopromoção, como ocorreu nas redes sociais de Nabor Wanderley, é uma experiência profundamente negativa e constrangedora para quem vive e constrói o Instituto todos os dias. Nossos estudantes não são figurantes de campanha, nem ferramenta de marketing eleitoral.
Ainda mais preocupante é o fato de que decisões e anúncios que impactam diretamente o Sertão são feitos sem ouvir quem vive aqui. Não houve consulta aos estudantes, aos servidores ou às comunidades sertanejas antes de afirmar que esse projeto “é bom para o Sertão”. Falar em nome da região sem escutá-la é repetir a lógica de sempre: poucos decidem, muitos apenas recebem as consequências.
Educação pública não pode ser tratada como favor político. O acesso ao IF, a expansão dos campi e qualquer projeto educacional precisam partir do diálogo, da participação e do respeito às realidades locais — e não de discursos prontos usados em agendas eleitorais.
O SINTEFPB repudia o uso político da nossa instituição e denuncia o aparelhamento do IFPB por figuras que tentam transformar a educação em capital eleitoral. Cobramos da gestão do Instituto uma postura firme, responsável e comprometida com a comunidade acadêmica, para que o IFPB não seja usado como palanque e para que o Sertão seja, de fato, ouvido e respeitado.
