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Fórum Social Mundial de 2018 será na UFBA

Fórum Social Mundial de 2018 será na UFBA

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Prévia dos debates que ocorrerão no Fórum Social Mundial em 2018, um seminário preparatório será realizado nos dias 17 e 18 de outubro em Salvador, durante o Congresso da Universidade Federal da Bahia. De volta ao Brasil após edições realizadas em Dacar, Túnis e Montreal, o FSM é um dos mais importantes espaços de reflexão e resistência ao processo de globalização e ao neoliberalismo. Até mesmo pela conjuntura internacional adversa, a nova edição ganha especial relevância.

Em razão de suas próprias contradições, os governos progressistas da América Latina entraram em crise, observa o sociólogo português Boaventura de Souza Santos. O continente também sofre com uma nova modalidade de golpe institucional, sob disfarce democrático, como se viu no Brasil em 2016, no Paraguai em 2012 e em Honduras em 2009. A crise financeira agudiza as disparidades sociais e os movimentos de resistência sofrem intensa repressão estatal.

Para defender a democracia, constantemente vilipendiada, uma nova Carta de Princípios deverá ser aprovada em Salvador no próximo ano, de forma a assegurar a tomada de decisões políticas concretas.

“Na verdade, queremos que o fórum deixe de ser apenas um espaço de reflexão e passe a construir ações conjuntas de enfrentamento ao neoliberalismo”, explica Rogério Pantoja, representante da Central Única dos Trabalhadores no Conselho Internacional do FSM. “Diante do desmonte dos direitos trabalhistas, não se descarta, por exemplo, a convocação de greves em vários países simultaneamente.”

No seminário internacional, o debate sobre a integração latino-americana e dos povos da África, com participantes do Brasil, Marrocos e Saara Ocidental, abrirá uma série de sete mesas, a abordar as lutas dos povos por suas terras, justiça ambiental, comunicação e democracia, intolerâncias, racismo e xenofobias, revolução dos gêneros, mundo do trabalho, arte e cultura em face do avanço do conservadorismo.

“Antes, as principais críticas à globalização vinham de forças progressistas. Hoje, são os fundamentalistas religiosos e a extrema-direita que protagonizam o debate. No lugar dos questionamentos ao modelo de desenvolvimento econômico, prevalece o discurso xenófobo e racista”, diz o franco-brasileiro Damien Hazard, representante da Associação Brasileira de ONGs (Abong) no Conselho Internacional do FSM.

A mesa sobre intolerância contará com a presença da ativista Mireille Fanon, filha Frantz Fanon, um dos maiores expoentes do pensamento decolonial, cuja obra é referência nos estudos sobre racismo.

Outro destaque é o debate sobre a chamada “4ª Revolução Industrial”, caracterizada pela incorporação de novas tecnologias que devem mudar radicalmente o mundo do trabalho, com a participação do economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense, e de representantes sindicais.

“Novas empresas, como a Uber, desestruturam setores inteiros da economia, além de induzir à precarização do trabalho”, observa Pantoja, da CUT. “O banco do futuro, por sua vez, promete acabar com o atendimento físico, o que gerará ainda mais desemprego em um setor já atingido pela automatização.”

Paulete Furacão, primeira mulher trans a trabalhar para o governo baiano, participará da mesa “Gêneros em Movimento”. Também está confirmada a presença de Norma Fernandez, acadêmica da Universidade Popular dos Movimentos Sociais, que atuou no processo de regulação da mídia na Argentina.

Ela debaterá com representantes das organizações Ciranda, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Fórum Mundial de Mídia Livre. Do Mali, Massa Koné participará da mesa sobre mudanças climáticas e suas implicações. Ele lidera a articulação de movimentos de camponeses da região oeste-africana.

O seminário será realizado na sequência da reunião do Conselho Internacional do FSM, que ocorrerá nos dias 15 e 16, na reitoria da UFBA, com agenda relacionada à organização da edição 2018. Representantes da Europa, África, América do Sul e Canadá, sede do último fórum, já confirmaram presença.

Integrante do conselho, Rita Freire ressalta a importância do Fórum Social Mundial para a construção de um mundo mais inclusivo e sustentável. “Ele pautou, na agenda mundial, o aumento das desigualdades decorrentes de globalização neoliberal, reinventou o significado da participação na política e disseminou novos paradigmas, a exemplo do bem viver, da economia do cuidado, da economia solidária, entre outros”, resumiu, em entrevista ao portal da UFBA.

A cobertura do evento será realizada pela web rádio FSM no Ar, liderada pelo jornalista Carlos Tibúrcio. Com transmissões em português, inglês e francês, algumas delas viabilizadas pela locução de refugiados e imigrantes no Brasil, a rádio é uma produção do Coletivo de Comunicação do fórum. Para conferir a programação completa do seminário, acesse www.fsm2018.org.

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Matéria da Carta Capital
www.cartacapital.com.br


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