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O lugar dos Técnicos Administrativos na educação.

O lugar dos Técnicos Administrativos na educação.

O dinamismo da greve nos coloca frente a frente ao conjunto das relações sociais do tempo histórico analisado, revelando o posicionamento dos atores envolvidos, a complexidade e a riqueza dos momentos de radicalização dos trabalhadores, quando emergem os elementos centrais da luta de classe, determinantes para a análise e a escrita de sua história.” (Miranda, 2011)

Após uma longa temporada de indiferença ao movimento paredista construído pelo conjunto de servidores das IFES, em todo o Brasil, na última sexta feira 13 o governo veio a público apresentar o que seria a sua “proposta definitiva”. De acordo com o Ministério do Planejamento, a iniciativa “atende a reivindicação histórica dos docentes, que pleiteavam um plano de carreira que privilegiasse a qualificação e o mérito. Além disso, torna a carreira mais atraente para novos profissionais e reconhece a dedicação dos professores mais experientes”. Será?

Além do caráter subtrativo, debilitante e enganador da proposta, conclusões resultantes das análises e discussões das várias centrais sindicais (ANDES, SINASEFE, FASUBRA), outra variável desse contexto merece nossa atenção: a completa exclusão dos técnicos administrativos do processo de negociação.

“Silenciar-se representa não reconhecer e enfraquecer aquele que dialoga consigo, significa destituir do outro a identidade de quem busca e almeja a fala, representa o esvaziar dos sentidos atribuídos as suas ações, logo destitui as lideranças e enfraquece a coesão e as motivações para continuarem lutando.” ( J. Santos; 2012)

Os significados de tal gesto apontam o norte estratégico do governo no atual momento político e revela princípios fundamentais do seu projeto de expansão. Para além do efetivo lugar dos TAEs no movimento grevista,o discurso governamental nos remete a reflexão sobre a relevância desses atores no cenário educacional contemporâneo.

A recente ampliação do quadro técnico nas instituições federais de ensino é uma resposta, mesmo que ainda tímida, ao déficit histórico de tais profissionais nas políticas públicas de educação em nosso país. Dentre as inúmeras atribuições desses servidores no âmbito da educação, o apoio pedagógico, político e institucional aos próprios docentes situam-se no âmago de suas prioridades. Nesse sentido, a invisibilidade agora imposta a essa categoria pelo governo federal colabora diretamente para a desqualificação não apenas do trabalho dos TAs, mas também incide no processo de precarização do trabalho docente.

O enfraquecimento do corpo técnico aprofunda as múltiplas dificuldades presentes no cotidiano institucional, incidindo no trabalho dos professores e professoras. Ao mesmo tempo em que acelera o curso das terceirizações e atinge frontalmente a tão necessária unidade política que agora se manifesta na “maior greve no ensino público federal das últimas décadas, com um ímpeto e abrangência que surpreendeu a todos, a começar por seus próprios dirigentes”. (M. Neto; 2012)

A conjuntura também revela os traços essenciais do modelo de formação que o estado se propõe defender. Uma educação paradoxalmente empobrecida e elitista, a margem das demandas socialmente referenciadas.

O posicionamento manifesto pelas diversas assembleias ocorridas nos últimos dias, referente a proposta do governo federal, reafirma a unidade do nosso movimento e evidencia a nossa luta histórica em defesa de uma educação pública de qualidade para todos e todas.

Digamos não a essa farsa!

“Nem tudo que é enfrentado pode ser modificado. Mas, nada que não é enfrentado pode ser modificado.” James Baldwin

 


 

Adriano Melo

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