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• SOCIEDADE • RACISMO | Jogos Jurídicos Estaduais da PUC-RIO carregados de ódio e racismo.

• SOCIEDADE • RACISMO | Jogos Jurídicos Estaduais da PUC-RIO carregados de ódio e racismo.

Imagem: Jogos Estaduais/Youtube | Via site Justificando

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Após denúncias de crimes de racismo e injúria racial cometidos por alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro nos últimos Jogos Jurídicos Estaduais, músicas de conteúdo discriminatório, criadas para serem cantadas pela torcida da universidade, voltaram a circular em grupos e redes sociais dos alunos da PUC-Rio.

Graças a aluna Adyel Beatriz, que entrou em contato com o justificando para denunciar as canções, a Redação teve acesso a audios contendo gravações de três músicas. Embora não seja raro que hinos de torcidas contenham palavrões e expressões agressivas, seu conteúdo extrapola o que geralmente se vê em jogos esportivos. As letras das músicas não são passíveis de publicação na íntegra devido ao seu teor sexual e preconceituoso, mas transcreveremos aqui alguns trechos para registrar, sem exageros ou eufemismos, seu caráter discriminatório:

 

Trecho de“UFRCOTA”, musica de torcida da PUC-Rio

 

“E já tem cota
UFRJ
Cota pros pobrim

Quer ajuda pro trem, eu integro
Um trocado pro lanche eu dou

No fim do mês a grana vai falta
Vai no lixão lá da central catar lata”

 

Trecho de “Congo”, musica de torcida da PUC-Rio

 

“Ela é cotista e sempre quer que eu banque
Mas eu só vou pagar se gozar

É favelada, vou ajudar um pouquinho
Toma um trocadinho, vai
Toma um trocadinho
E faz um lanche ali no bandejão
Pão com mortadela, de repente um requeijão
De laranjeiras, foi pra Madureira
Hj ela se esconde lá no morro do dende
Foi lavadeira, já foi faxineira
Hj a cotista ganha vida com…”

A estudante de jornalismo Adyel Beatriz destaca o caráter de preconceito e desprezo com que os alunos cotistas são referidos, sendo estes alunos retratados como inferiores, com sua condição econômica e origem social transformadas em uma caricatura ridícula e humilhante.

“No momento em que ouvi, eu senti uma revolta gigantesca. É surreal que alguém escreva esse tipo de coisa e é surreal que alguém cante. A PUC é uma universidade gigante, que produz conhecimento e que coloca muita gente no mercado. É assustador que ideias como essas venham de lá e que nenhuma providência seja tomada”.

Além de ofenderem a condição de alunos e alunas cotistas, denuncia Adyel, as letras apresentam ainda conteúdo extremamente violento, machista, misógino, xenófobo e racista, como evidenciado pelo título da segunda música, “Congo”, que é o “apelido” discriminatório pelo qual a UERJ, primeira universidade do país a adotar o sistema de cotas raciais, é referida por alguns alunos da PUC-Rio:

“Isso é o racismo e o preconceito de classe da forma mais escancarada possível. As cotas incomodam justamente porque elas se propõem a mexer nas estruturas sistêmicas. Eles zombam da UFRJ que aderiu às cotas como se isso representasse uma espécie de peso e/ou retrocesso.”, disse Adyel. “Acredito que pessoas racistas são racistas, escancaradas como vimos, porque elas se sentem confortáveis para praticar esses tipo de ataques. Se posicionar contra esse tipo de atitude é essencial”.

Felizmente, a atuação de coletivos e grupos de alunos nos últimos anos tem contribuído enormemente para uma mudança de paradigma, ainda que lenta.

“Muitos alunos da UFRJ se manifestaram e repudiaram tanto os atos nos Jogos Jurídicos como as músicas.
As atléticas das faculdades da UFRJ já foram protagonistas de músicas preconceituosas, mas já tem tempo que esse tipo de música é proibida e não mais cantadas. Os alunos, em sua maioria, se opõem a esse tipo coro”.

 

Mas, destaca a aluna, o problema é histórico e estrutural e a luta e resistência dos grupos discriminados é constante:

“Eu quero ouvir essas pessoas também; as pessoas da Puc que ficaram em silêncio até agora. A gente sabe nem todo mundo da Puc é racista e preconceituoso. A gente sabe que existem bolsistas na PUC (inclusive, força a eles). Mas onde estão esses alunos que defendem a Puc a todo custo se manifestando contra esses tipos de ataques?
Racismo e preconceito de classe existem no Brasil desde 1500, são estruturais. No entanto, ações eficazes precisam ser tomadas para que essa estrutura continue se movendo e as coisas mudem”.

 

Conduta ilícita e criminosa

É sempre importante lembrar que a gravidade desse tipo de discriminação não decorre apenas do sentimento ou opinião das pessoas ofendidas. Trata-se de uma questão legal e objetiva. Há diversas leis no Brasil que proíbem esse tipo de comportamento e protegem os indivíduos contra ofensas e discriminações.

Assim, por exemplo, a Constituição Federal determina, em seu artigo 5º, que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

O Código Penal brasileiro prevê em seu artigo 286 punição de prisão para quem incitar, publicamente, a prática de crime, por exemplo, incitando a prática de estupro ou abuso sexual.  

No artigo 140, o mesmo Código também prevê o crime de injúria racial, definido como o ato de ofender a dignidade de alguém, seja verbalmente, com gestos ou por escrito, coma utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A pena prevista é de um a três anos de prisão.

Há inclusive uma lei específica que pune crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. É a LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989., que dentre as várias condutas criminosas que coíbe, prevê em seu artigo 20 prisão de até três anos para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. 

Casos semelhantes

Em 2014, a bateria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto foi acusada de racismo por algumas músicas cantadas em jogos universitários. Uma delas, cheia de palavrões, possui trechos como “preta imunda”, a “morena gostosa” e a “loirinha bunduda”, além de chamar mulheres negras de “crioulas fedorentas”, conforme relatório da ponte.org.

Em 2015, na abertura dos jogos estudantis da Univasf, membros da Atlética de Medicina, vestidos com as cores dessa organização, distribuíram hinos machistas e violentos e os cantaram com o acompanhamento de um grupo de percussão. 

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Fonte: G1

Via: Justificando

 

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