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Educação e Direitos Humanos.

Educação e Direitos Humanos.

As declarações dos Direitos Humanos (1789/1948) primam pela dignidade do homem, como reza o artigo Iº do documento aprovado pela ONU, em 1948: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, são dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.

Ocorre que para que o ser humano possa desfrutar de uma convivência pacífica e fraterna, em sociedade, carece de aprimoramento intelectual e espiritual. O mestre Paulo Freire dizia que os animais, ao nascerem, encontram um apoio natural; o homem, ao contrário, precisa da solidariedade dos outros para sobreviver dentro de uma cultura criada por ele mesmo, já que não dispõe desse nicho natural. Particularmente, eu creio que a Solidariedade tem no campo da educação o seu terreno mais fértil para ser cultivada.

Desde os primórdios da civilização que o homem tenta se libertar das labutas árduas e conquistar uma vida amena. Nessa terceira fase da revolução industrial, chamada de fase pós-moderna, que casa ciência com tecnologia, a sociedade conquistou níveis de produção nunca dantes alcançados na história da humanidade.

Lamentavelmente, para muitos, o sonho de uma vida plena está, cada vez mais distante de acontecer. O que vemos é um mundo cada vez mais difícil, com a precarização da vida do trabalhador e de suas famílias. Postos de trabalho vão desaparecendo sucedidos pela inserção tecnológica no mercado, o desemprego campeia nos países mais desenvolvidos promovendo desigualdades sociais e econômicas, jamais vistas; nunca se presenciou, com tanta transparência, os bolsões de riqueza ao lado da ampliação da miséria.

Os governos, como o Brasileiro, da presidenta Dilma Rousseff, tornam-se desumanos e vassalos do capital financeiro internacional. O mundo tornou-se um lugar inóspito. Já não há mais segurança e, como disse Marx: Tudo que é sólido desmancha no ar.

No entanto, não podemos nos dar ao luxo de desanimar, porque a vida não dá férias a ninguém. Somo seres predestinados pela materialidade; precisamos lutar, lutar para manter nosso lugar no mundo. Sartre dizia que o homem precisava construir o seu projeto de vida, mesmo renunciando a muitas possibilidades, motivo da sua angústia.

Neste momento vivemos a experiência coletiva de uma greve na educação pública federal do nosso País. Greve que é ruptura paradoxal, porque interrupção forçada daquilo que defendemos com mais vigor e convicção, principalmente para os nossos filhos, a educação. Fomos forçados a escolher, e escolhemos o mais difícil, a greve.

Fazer greve em defesa da educação de qualidade: eis o paradoxo com o qual nos deparamos; Educação que, segundo Russel, deveria ser guiada pelo espírito de reverência “… algo sagrado, indefinível, ilimitado, algo individual e estranhamente precioso, o princípio crescente da vida, um fragmento encarnado do obstinado esforço do mundo” (Chomsky. 2008).

Na nossa luta não estamos limitados apenas às barganhas financeiras, defendemos uma educação que ajude na construção de uma sociedade que elimine todas as formas de opressão, que libere as energias construtivas do homem, que seja enunciação de um modo totalmente novo de conceber e regular as relações econômicas e de produção na sociedade. Defendemos uma educação que estimule os impulsos criativos dos homens na consolidação do bem-estar comum.

E mais: acreditamos na educação como ferramenta que construa uma sociedade que liberte o homem das prisões, das formas de servidão, do peso do trabalho alienante, tornando possível imaginar um mundo de homens livres que coseguirão a liberdade do impulso criativo na sua totalidade.

E esta luta não é apenas de especialistas, de professores, mestres ou doutores, é um desejo intrínseco de todos os cidadãos que defendem uma sociedade justa e igualitária, sem necessitar para tanto de títulos acadêmicos. É uma luta que envolve do mais simples trabalhador ao mais graduado dos gestores. Neste momento sublime da nossa luta devemos, mais do que nunca, ter a consciência da unidade, uma unidade forte, grande, ilimitada que, associada à consciência política, possa gestar o tecido da democracia na qual esta e as próximas gerações possam se sentir seguras e protegidas das intempéries de um mundo cada vez mais desumano e cruel.

 


Crisvalter Medeiros – Jornalista do IFPB – NETDEQ-Pró-Reitoria de Extensão – Coordenador da Pasta de Comunicação do SINTEFPB.

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