Relatório da Delegação do SINTEF-PB, que participou do 4º Seminário de Educação do SINASEFE, realizado no CEFET-RP, na cidade de Rio Pomba – MG, no período de 07 a 10 de agosto de 2008.

 

O SINTEF-PB esteve representado com uma delegação de 04 (quatro) filiados, 02 (dois) de João Pessoa, Ney Robson e Edílson Ramos, 01 (um) de Cajazeiras, Gilvandro e 01 (um) de Sousa, Pedro Paulo. O grupo participou ativamente de todas as atividades prevista na programação do seminário.

 

No dia 07 de agosto o grupo esteve presente na palestra de abertura do evento que tinha como tema A REDE FEDERAL E OS DESAFIOS PARA UMA EDUCAÇÃO EMANCIPADORA. Nesta palestra foram discutidos alguns pontos e deixados em aberto alguns desafios para os educadores da rede federal de educação e para a sociedade como um todo. Como exemplo podemos citar alguns pontos enfatizados:

►Como estruturar uma educação emancipatória no contexto de uma sociedade de natureza excludente;

►É importante que se identifique qual é o projeto que orienta a configuração educativa;

►Se não sabemos que educação queremos, o contrário é certo, ou seja, a classe dominante sempre soube que educação precisa para acumular riqueza. A prova clara disso é a reestruturação produtiva promovida pelo projeto neoliberal.

►A sociedade está sendo chamada para resolver sozinha seus próprios problemas e suprir suas necessidades com base no individualismo. Assim a sociedade é chamada para fazer o papel do estado capitalista e pela lógica da esperança aparecem ONGS e projetos sociais de apoio à população carente no intuito de minimizar a pobreza que na verdade tem como causa histórica a exploração e a concentração de renda na mão de poucos.

►O trabalho aparece como uma mercadoria livre e aí aparecem as formas de precarização do trabalho com retirada de direitos dos trabalhadores;

►Chega-se a conclusão de que a busca pela elevação do nível de escolaridade seria apenas para atender as necessidades do capital;

►A pressa em preparar mão-de-obra faz com que a rede privada apareça como elemento importante de formação juntamente com a rede pública;

 

No dia 08 de agosto o grupo participou da mesa redonda denominada REORDENAMENTO DAS IFES: REFORMA OU RETROCESSO? Nesta mesa estavam prevista a participação dos representantes do MEC, SETEC, CONCEFET, CONEAF, SINASEFE e ANDES. No entanto, foram justificadas as ausências de representantes do ANDES e CONCEFET. Fizeram-se representados a SETEC pela Professora Caetana, o CONEAF pelo Professor José Roberto e o SINASEFE pela Profª Mª Cristina Madeira.

 

A Professora Caetana, pela SETEC/MEC destacou os seguintes pontos

  ►A reprodução de vagas promovida pelos IFETS foi colocado como algo bom e que idéias estavam postas e que a estruturação da rede dependia dos esforços de todos;

►Que se reconhece o importante trabalho do SINASEFE na construção de novas bases a respeito da gestão escolar;

►Enfatizou-se a importância do combate à evasão e repetência com um melhor acolhimento dos alunos e a conscientizarão da importância do espaço escolar;

►é preciso entender como anda a pesquisa aplicada e observar dissertações e teses que não são aplicadas. É preciso transformar a pesquisa em algo concreto para a sociedade através da extensão. Enfatizou-se ainda que o MEC está estudando acerca de que pesquisa queremos;

►A SETEC definiu os IFETS como um conjunto de políticas que visa o desenvolvimento social;

►A rede federal deverá assumir o papel de assessorar os estados e municípios atuando como um braço de melhoramento social e promotor do desenvolvimento do estado brasileiro

►O governo federal está discutindo com o sistema S a gratuidade de suas atividades. O governo deverá criar estruturas para averiguar a gratuidade;

►Que os IFETS devem trabalhar a formação humana. Que se pretende trabalhar a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Foi identificado o problema de que as instituições de educação profissional estão de forma tradicional focados no ensino;

►Outro problema identificado é que o ensino superior está mais focado na pesquisa e extensão do que no ensino;

►É preciso que a escola acabe com a cultura de deixar que o aluno procure a escola. Neste sentido é preciso que a escola busque o aluno na comunidade em que está inserido.

►Comentou que a educação brasileira não está sendo financiada por recursos internacionais. Por outro lado informou que a expansão vinha sendo bancada em parte pela velha CPMF e que no momento não existe uma fonte de financiamento permanente para a educação. Que existe um projeto do senador Paulo Pain acerca de financiamento para a educação e que está parado.

►Reconhece que a educação não pode ficar esperando por recursos vindo de emenda parlamentar;

►Que a pesquisa e a extensão devem ser feitas pelo professor dentro de sua carga horária e sem receber remuneração por este trabalho;

 

 

 O Profº José Roberto pelo CONEAFS destacou os seguintes pontos

 ► Que os conselhos estão em formação no que diz respeito à constituição dos IFETS e que existem consensos e resistências entre CONEAFS, CONCEFET E CONDETUF considerando que todos buscam tratamento igual na expansão.

►As Escolas Agrotécnicas querem compensação já que os Cefets tiveram vantagem, por exemplo, na contratação de professores;

►Lembrou da luta do SINASEFE quanto a quem pode ser dos IFETS Já que o SINASEFE lutou para que incluísse o NS. Foi questionado prque todos os servidores não poderiam estar aptos ao cargo de diretor dos campi.

 

 

A Profª. Maria Cristina Madeira, pelo SINASEFE, fez uma abordagem da situação atual da rede Federal de Educação Profissional Cientifica e Tecnológica, destacando o quantitativo do nº de IFES, as modalidades de ensino ofertado pela rede, cenários de alguns indicadores, como por exemplo:

 ►POPULAÇÃO BRASILEIRA - 183 milhões de habitantes

  ►Educação

 

70% dos professores de ciências não possuem formação específica (em especial 90% em Física e 86% em Química).Os professores das disciplinas específicas da EPT são originariamente leigos, oriundos da engenharia e de cursos técnicos.FALTAM PROFESSORESDos 27 milhões de jovens entre 18 e 25 anos, 30% não têm 8 anos de estudo. Destes, 25% não freqüentam a escola. (MEC)17,5% da população na faixa etária de15 a 17 anos, estão fora da escola. (MEC)4% - com 15 anos ou mais de estudos (PNAD / IBGE 2003) 13% - possuem Ensino Médio (PNAD / IBGE 2003)

 

 ►Remuneração anual de professores no início e no topo da carreira no ensino médio, comparando com outros paises;

►Percentual (%) de Licenciados formados nos últimos 25 anos que atuam como professores do ensino básico.

 

 No dia 09 de agosto o grupo participou da palestra: EDUCAÇÃO E TRABALHO: O PAPEL DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA NA ECONOMIA GLOBALIZADA. Esta palestra foi proferida pelo Professor Francisco Sobral que destacou os seguintes pontos:

►Que já esta faltando engenheiro (apagão dos engenheiros). Que já existe conflito entre engenharia e tecnólogo. Que o aluno já aponta preferência pela engenharia. É importante pesquisar porque está faltando engenheiro;

►É importante fundamentar o Projeto Político Pedagógico que deverá ser fundamentado a partir da politécnia;

►Que o currículo deve ser integrado e que as propostas do Pós-Médio e Subseqüente deixam a desejar no que diz respeito à formação integral;

►Que já existe uma dificuldade de colocar o técnico no mundo do trabalho e que se percebe uma preferência por parte das empresas pelo profissional de nível superior;

►que é importante formar lideranças políticas que consigam juntar trabalhadores, associações e sindicatos. Quem organiza a classe trabalhadora são os movimentos sociais;

►Quanto ao Pronera considera um programa de fundamental importância. Que as instituições de ensino que lidam com este programa precisam sair do conservadorismo na formação do aluno, fugindo, por exemplo, do agronegócio que segundo ele não precisa das instituições. Que a escola de Mato Grosso, maior centro do agronegócio investe nos assentamentos.

►Remuneração anual de professores no início e no topo da carreira no ensino médio, comparando com outros paises;

►Percentual (%) de Licenciados formados nos últimos 25 anos que atuam como professores do ensino básico.

 AS ATIVIDADES DOS GRUPOS DE TRABALHO

No dia 08 a partir das 14 horas foi realizado um trabalho com grupos temáticos que tinha como objetivo reunir depoimentos dos profissionais em educação da rede federal quanto aos diversos aspectos da gestão de sua instituição. Neste sentido o objetivo é a construção de um documento que venha a subsidiar os trabalhos do GT Nacional e dos GTS de base com fins de reelaborar as lutas da categoria por uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade.

 No dia 08 os grupos de trabalhos discutiram os seguintes temas:

Grupo 1 - Ensino à Distancia

Grupo 2 - Licenciaturas

Grupo 3 - Programas

Grupo 4 - Projeto de Lei dos IFETS

 Ney Robson e Gilvandro participaram dos trabalhos do grupo 4 que discutiu mudanças no Projeto de Lei que cria os IFETs. Este grupo ainda não concluiu suas atividades e ficou de se reunir em Brasília juntamente com o GT Nacional de Políticas Educacionais do SINASEFE.

Edílson Ramos participou do Grupo 3, Programas, que começou a discutir o PROEJA, este tema tomou todo o tempo e que não discutiu outros programas, Edílson pôde observar a grande dificuldade das instituições em implementar o programa
principalmente o despreparo e desconhecimento dessa modalidade de ensino, falei da experiência do CEFET-PB e da
forma que constituímos o Projeto, que é o único da rede que não é técnico e sim uma qualificação.

Pedro Paulo, participou do Grupo 1, onde discutiu o Ensino à distância, ele pôde observar que ainda é bastante polêmico e que também não há ainda uma política de governo, que oriente e discipline o referido modelo.

 

No dia 09 de agosto foi dado continuidade aos trabalhos dos grupos de trabalho com os seguintes temas:

Grupo 1 - Ensino, Pesquisa e Extensão;

Grupo 2 - Currículo Integrado;

Grupo 3 - Democratização e Acesso;

Grupo 4 - Projeto de Lei dos IFETS.

 O Grupo 1, debateu sobre o Ensino, Pesquisa e Extensão, Pedro Paulo, observou que o referido tema ainda não existe uma integração, onde quase todo o tempo é direcionado para o ensino, principalmente nas agrotécnicas.

Edílson Ramos participou do Grupo 3, Democratização e Acesso, novamente pudemos observar a grande diferença existente na rede sobre a
forma de acesso e manutenção dos alunos na instituição e também a forma como seus representantes são eleitos, em
algumas instituições o processo eleitoral é deturpado sem discussão nas bases, atropelando o processo
democrático, observamos que apenas algumas instituições (CEFET-SC e CEFET-PB) possuem eleições em outros níveis
de ensino além do diretor geral.

O Grupo 4 continuou a discussão do Projeto de Lei que cria os IFETs. A dinâmica dos trabalhos foi: Leitura do projeto, apresentação de destaques, discussão dos destaques e votação. Foi feita a leitura e apresentado os destaques, começou a discutir ao destaques, tendo em vista a quantidade de destaques, o grupo ainda não concluiu suas atividades e que o relator iria sistematizar os trabalhos e através de e-mail continuaria a discussão, foi proposto que na próxima reunião do GT de Políticas Educacionais do SINASEFE o grupo participaria.

 

No debate das apresentações dos grupos, Gilvandro propôs que se empreendesse uma luta no sentido de se criar uma lei federal que tornasse obrigatório o orçamento participativo nas IFES.

O resultado dos trabalhos em grupos está sendo sistematizado pelo GT de Políticas Educacionais do SINASEFE para posterior publicação.

Avaliamos de forma bastante positiva o 4º Seminário de Educação do SINASEFE, as palestras foram enriquecedoras no nosso fazer acadêmico e sindical, da mesma forma os debates que aconteceram foram de uma forma responsável e mostrou que o SINASEFE está no caminho certo, observamos que é um espaço muito rico de informações e de trocas de experiências.

 

 

 

 

 

 

 

 

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